Kuthaka mahamba 2020
[ to heal the spirits / curar os espíritos ]

March 19, 2020
Fuckin' Globo VI, Luanda Angola
 
Kuthaka mahamba. The discovery of ancestral practices for the treatment of women’s and children’s bodies reveals connections between art, healing and the spirit. An ethnological research of a Nganguela people during the colonial era is transformed into a performance that communicates rituals for the healing of
the spirit and history, bringing to light another perception of the roles played by women. The performers carry in their heads, not a burden but illumination (knowledge).

Kuthaka mahamba means in Ngangela culture „to heal the spirits“ and was the name of the ritual performed to cure diseases. These people believed that female and child diseases were caused only by demonic spirits from rivers and streams, and to cure them, they painted, among others, marks symbolizing animals that live in rivers or feed themselves from rivers, on the body of the sick.

During the performance 5 women, creatives with whom I‘ve developed a collaborative research project on colors, walked from the Coqueiros neighbourhood to Hotel Globo in downtown Luanda, where they performed a ritual to heal the spirits (of history). The traces of these rituals are accompanied by the video „Everything is Illuminated“ which shows a group of women crossing the nature around an abandoned farm in Kwanza-Sul at dusk. Recall-
ing the ancestral way of carrying weight, the porters of the explorers, colonialism, migration in its various dimensions and the zungueiras (female street hawkers) of today. The female voice in the video reminds us of the wise woman, the tschimbanda.

A book about the travels of German ethnologist Alfred Schachtzabel in central southern Angola inspired drawings of several of his travel routes in the form of abstract drawings, which remind us of the course of rivers on maps. In his letters and notes he shared his studies on „The social and spiritual life of the Ngangela“.

Note: The peoples designated as Nganguela
are: Lwena, Luvale, Mbunda, Lwimbi, Kangala, Ambwila, Lutchaz, Kamachi — they do not constitute a broad ethnic group, and each speaks his own language, although they are somewhat related. What is often referred to as the „nganguela language“ and currently has the status of a „national language“ is actually only that of a population living in eastern and southern Menongue.
Kuthaka mahamba. A descoberta de práticas ancestrais para o tratamento do corpo da mulher e da criança faz ressurgir ligações entre a arte, a cura e o espírito. Uma pesquisa etnoló-
gica de um povo Nganguela durante a era colo-
nial transforma-se numa performance que comunica rituais para a cura do espírito e da história, trazendo à luz outra percepção dos papéis desempenhados pela mulher. As per-
formers carregam na cabeça, não um fardo
mas iluminação (conhecimentos).

Kuthaka mahamba significa na cultura dos Ngangela „curar os espíritos“ e era o nome do ritual executado para curar doenças. Este povo acreditava que as doenças femininas e infantis eram causadas somente por espíritos demoní-
acos dos rios e riachos, e para curar-las, pin-
tavam, entre outras, marcas que simbolizavam animais que vivem nos rios ou alimentam-se dos rios, no corpo da doente.

Durante a performance 5 mulheres, criativas com quem tenho desenvolvido um projecto de pesquisa colaborativa sobre cores, caminharam dos Coqueiros até ao Hotel Globo, na baixa de Luanda, onde executaram um ritual para curar os espíritos (da história). Os traços destes rituais estão acompanhados pelo vídeo „Tudo está Iluminado“ que mostra um grupo de mulheres atravessando, ao anoitecer, a natureza em volta duma fazenda abandonada em Kwanza-Sul, relembrando assim a maneira ancestral de car-
regar peso, os carregadores dos exploradores,
o tempo colonial, a migração em suas várias di-
mensões e as zungueiras de hoje em dia. A voz feminina do vídeo faz lembrar a mulher sábia,
a tschimbanda.

Um livro sobre as viagens no centro-­sul de Angola do etnólogo alemão Alfred Schachtzabel inspirou vários desenhos das suas rotas de viagens em forma de desenhos abstractos, que fazem lembrar o curso de rios nos mapas. Nas suas cartas e notas ele partilhou os seus estudos sobre a „A vida social e espiritual dos Ngangela“.

Nota: Os povos designados como Nganguela são: Lwena, Luvale, Mbunda, Lwimbi, Kangala, Ambwila, Lutchaz, Kamachi – não constituem uma etnia abrangente, e cada um fala a sua língua, embora estas sejam de certo modo aparentadas. A que frequentemente se designa por „língua nganguela“ e tem actualmente o estatuto de „língua nacional“ é na verdade apenas pertencente a uma população que reside a leste e sul de Menongue.